Governança corporativa: quanto tempo leva para implantar um programa de integridade?

No último post do nosso blog, explicamos aos leitores qual é a diferença entre compliance, programa de integridade e governança corporativa. É mais um detalhe semântico e cultura nacional do que uma diferença de metologia propriamente dita. Outra dúvida das empresas que pretendem a aderir um programa de integridade ou às que estão dando seus primeiros passos em um é o tempo de duração de um programa completo. Mais que isso: quais são as etapas de um compliance completo e efetivo?

Em entrevista ao Juriscast, podcast jurídico, a Dra. Maria Luiza Cavalcante, Gerente de Compliance e Jurídico da BR Home Centers, disse que o prazo de duração é de 3 a 5 anos. Perguntada sobre a longevidade da implementação e sobre a etapa mais demorada do processo, a Dra. alegou que, ao contrário do que geralmente parece, não é o treinamento da equipe que toma mais tempo, e sim o amadurecimento de um programa completo. Ela ainda listou de maneira didática alguns elementos basilares e indispensáveis que sustentam este amadurecimento. Vamos falar sobre eles para entender?

Tone from the Top

Muito conhecida no mundo corporativo, ‘tone of the top’ pode ser explicada como ‘o exemplo que vem de cima’. Ou seja, a alta direção da organização (dono, acionistas, conselho de administração) precisa estar comprometida e reconhecer o valor de um programa de compliance. A conformidade precisa ser vendido como um valor da empresa

Compliance officer

Nas palavras da Dra. Maria Luiza Cavalcante, é preciso que existe um “pai da criança”, alguém de reputação indiscutível que possa ser a representação desse programa, aquela que pode de fato se responsabilizar por criar um programa de governança corporativa.

Normas e procedimentos

Tendo o apoio gerencial da empresa como uma base e a pessoa certa para se responsabilizar pelo acompanhamento do programa, está criado o background. A partir daí é necessário ‘por a mão na massa’ e de fato criar um código de ética, conduta ou princípios que está aderente com as melhores práticas do mercado e com a identidade do negócio. Afinal, ele é o documento que vai alinhar qual o comportamento ético que a organização espera de quem trabalha nela. “Se elas [as pessoas] não souberem qual a regra do jogo, elas vão jogar cada uma de um jeito e no final vira bagunça”, afirma a Dra.

Treinamento da equipe

Aqui começa de fato o treinamento dos colaboradores, passar todo o código com a força da credibilidade da alta direção. “No nosso caso [da BR Home Centers], estamos em 8 estados e temos 33 filiais, eu precisei ir em todas as filiais para poder comunicar a todo mundo”, explica Maria Luíza. É importante, claro, que este treinamento possa ser feito recorrentemente, idealmente uma vez por ano, para alinhar os novos colaboradores e fortalecer aos antigos a força do programa.

Monitoramento

Com todo mundo na mesma página e com o código discutido e absorvido por toda a equipe, é importante que haja um monitoramento para que ele, de fato, possa ser aplicado e acompanhar suas falhas e oportunidades de melhorias. Além de acompanhar a efetividade do seu comprimento diante da equipe.

Canal de Denúncia

Naturalmente, por mais responsável que o compliance officer e que o conselho criado em torno dele seja eficiente, é impossível acompanhar cada funcionário da organização no seu dia a dia para verificar se estão todos cumprindo o código de ética. Por isso é necessária a criação de um canal de denúncia, obrigatoriamente anônimo, para que as pessoas possam gerar alertas a respeito da equipe e da aderência com a conformidade da empresa. Reforçando: é importante que seja anônimo. O funcionário não pode sofrer retalização por outros profissionais.

Disciplina

Pronto. Seu plano está respaldado pela direção, já tem um “pai”, as normativas, o conhecimento de sua equipe, está sendo monitorado e já possui o canal de denúncias. O que falta agora? Aplicá-lo no mais profundo sentido: tomar atitudes a partir dele. Se algum funcionário não está cumprindo com o que a empresa entende por ética, é necessário repensar sua participação na companhia ou abordá-lo com este objetivo. Compliance não é apenas teoria, mas prática também.

Estes são os 7 itens, em ordem cronológica, que, segundo a Dra. Maria Luiza Cavalcante, formam um processo de um programa de integridade de sucesso, que demora, todos juntos, em torno de 3 a 5 anos. Este tempo não é relativo à implementação de algum destes pontos isolados, mas de seu funcionamento como um todo, como um verdadeiro organismo vivo.

E sua empresa? Precisa de um sistema que auxilie a aplicação do seu compliance? Pode contar com a gente. 🙂

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