Por que pessoas e empresas resistem a novas tecnologias?

A inovação tecnológica é frequentemente admirada por possibilitar o desenvolvimento e a superação de grandes desafios, estimular o crescimento econômico e impulsionar sociedades. No entanto, algumas inovações costumam enfrentar dificuldades em sua implementação. Ao longo da história, são diversos os casos de proibição estatal de novas tecnologias – mesmo aquelas que, após liberadas, trouxeram benefícios às sociedades.

Considere a imprensa. A nova tecnologia representava um importante avanço para as religiões, por exemplo, que finalmente possuiriam uma ferramenta eficiente para reproduzir e disseminar suas escrituras sagradas. No entanto, o Império Otomano – localizado no território em que hoje é a Turquia – proibiu a impressão do Alcorão por quase 400 anos. Em 1515, o sultão Selim I chegou a decretar que “ocupar-se da ciência da impressão era punível com a morte”.

Por que tal oposição à uma tecnologia tão benéfica? A resposta mais simples é que as pessoas têm, naturalmente, medo do desconhecido. Outra argumentação de estudiosos é que a resistência ao progresso tecnológico costuma estar enraizada no temor de que a ruptura do status quo possa trazer prejuízos: no emprego, na renda, no poder, na identidade, na cultura. Assim, os governos acabam decidindo que é mais fácil proibir a nova tecnologia do que se adaptar a ela.

É claro que a construção de barreiras à inovação tecnológica nem sempre parte do Estado. Grupos específicos interessados na manutenção do status quo podem exigir de seus governantes que proibições sejam impostas. Difamação, desinformação e até mesmo demonização, são abordagens que já tiveram êxito no passado. Em 1674, as mulheres inglesas emitiram uma petição contra o café, alegando que ele causava esterilidade e, portanto, devia ser consumido apenas por pessoas com mais de 60 anos – um público com pouquíssima representação na época. No ano seguinte, o Rei Carlos II proibiu a produção do café na Inglaterra.

Já no início do século XX, a resistência aos tratores motorizados foi feita de uma forma um pouco diferente. Produtores e comerciantes de animais de tração temiam a mecanização, que ameaçava seu mercado, mas sabiam que impedir a propagação dos tratores seria impossível, já que não tinham como melhorar seus produtos, enquanto os engenheiros poderiam continuar desenvolvendo sua tecnologia. Assim, o que eles tentaram impedir foi a desvalorização dos animais de fazenda, através de uma campanha que exaltava suas “virtudes exclusivas”. A Horse Association of America publicou panfletos declarando que “uma mula é o único trator à prova de falhas já construído”. O grupo também apontou que os cavalos poderiam se reproduzir, enquanto os tratores apenas se deterioravam.

As pessoas quase nunca rejeitam o progresso tecnológico por ignorância. O que ocorre é uma luta para proteger seus interesses próprios, uma cultura com a qual já estão acostumadas, ou seus meios de subsistência, sejam estes a operação de uma fazenda de gado leiteiro ou a disponibilização de caronas, em metrópoles, em troca de dinheiro. É o caso atual dos taxistas que, no Brasil, se opõem e travam um embate contra à liberação de aplicativos como o Uber.

Evitar barreiras ao progresso tecnológico requer análise e compreensão de suas reais desvantagens. Só assim é possível evitar reações contrárias a inovações tecnológicas potencialmente benéficas. Em empresas, o cenário de resistência a mudanças também é comum, principalmente entre equipes que já possuem processos e procedimentos estabelecidos há muito tempo e estão acostumados a uma rotina. O SE Process, por exemplo, é uma boa opção para a modelagem e análise de processos de negócios, porém ainda há quem veja a gestão de processos como uma burocracia desnecessária. A gestão de documentos é outra área ainda repleta de oportunidade de melhorias. Um software como o SoftExpert PPM pode otimizar, padronizar e, principalmente automatizar as ações desta gestão, porém ainda há quem não confie num software para realizar este tipo de controle e prefira realizar essas atividades de forma manual.

Desvencilhar-se dessa resistência e alterar uma cultura organizacional, mesmo que minimamente, requer flexibilidade. Daí o porquê de dois dos termos mencionados até aqui, inovação e flexibilidade, serem, desde a década passada, muito constantes nas listas de valores de empresas ou de características desejáveis em candidatos a vagas. Com o avanço acelerado da tecnologia, é cada vez mais necessário que os trabalhadores sejam capazes de se adaptarem a novos softwares e funcionalidades, que poderão garantir às empresas um diferencial na competitividade do mercado. Da mesma forma, as empresas precisam estar atentas às inovações tecnológicas disponíveis e como elas podem ser implementadas de forma a trazer benefícios.

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